Fadiga ao volante: como o cansaço imita os efeitos da bebida
A fadiga e o sono estão entre as principais causas de acidentes nas rodovias brasileiras. Juntos, esses fatores respondem por cerca de 60% dos acidentes viários no país, pois afetam a capacidade cognitiva dos motoristas. Os…

A fadiga e o sono estão entre as principais causas de acidentes nas rodovias brasileiras. Juntos, esses fatores respondem por cerca de 60% dos acidentes viários no país, pois afetam a capacidade cognitiva dos motoristas. Os números são de um relatório da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), publicado em 2019, e de um estudo da Denox em parceria com a MedNet.
Especialistas da Associação das Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (Actrans-MG) alertam que a falta de descanso gera efeitos no cérebro semelhantes aos da embriaguez. Segundo Adalgisa Lopes, presidente da Actrans e especialista em segurança viária, a fadiga faz o motorista perder a noção dos próprios limites. O condutor acredita que pode continuar dirigindo mesmo com as funções cognitivas comprometidas, e a percepção de risco fica distorcida.
Sono ao volante
Quem fica 24 horas sem dormir apresenta uma degradação psicomotora equivalente a uma taxa de alcoolemia de 0,10%, nível que a legislação brasileira trata como crime de trânsito. O cansaço extremo também provoca episódios involuntários de microssono, que são apagões mentais de até cinco segundos. Outro risco é a chamada “hipnose da estrada”, um estado em que o motorista dirige no piloto automático, sem processar os perigos ao redor.
A situação é ainda mais grave para motoristas profissionais de ônibus e caminhões, que enfrentam rotinas intensas e prazos apertados. A categoria tem o respaldo da Lei do Descanso, mas a infraestrutura é limitada: existem apenas 139 Pontos de Parada e Descanso certificados para uma malha viária federal que passa dos 75 mil quilômetros. Sem locais seguros para estacionar, muitos caminhoneiros preferem seguir viagem cansados a correr o risco de assaltos no acostamento.
Medidas como tomar café, abrir os vidros ou aumentar o volume do som não resolvem o problema. Essas ações apenas adiam temporariamente os sintomas da sonolência. A recomendação é única: ao sentir os primeiros sinais de cansaço, o motorista deve parar em um local seguro e descansar.