O “não” que mudou Super Mario Bros. 2
A Nintendo, ao longo de sua história de mais de 50 anos no mercado de games, acumula diversas histórias curiosas. Entre elas, está a trajetória de Super Mario Bros. 2, que recebeu duas versões distintas: uma…

A Nintendo, ao longo de sua história de mais de 50 anos no mercado de games, acumula diversas histórias curiosas. Entre elas, está a trajetória de Super Mario Bros. 2, que recebeu duas versões distintas: uma para o Japão e outra para os Estados Unidos.
A sequência do aclamado jogo de 1985 foi pensada para ser ainda mais desafiadora. A Nintendo do Japão acreditava que os jogadores queriam um título “para Super Players”, como foi divulgado no marketing. O jogo também ajudaria a promover o Famicom Disk System, um periférico que usava disquetes no lugar dos cartuchos tradicionais.
Lançado no Japão em junho de 1986, o jogo fez sucesso apesar da dificuldade elevada. A Nintendo enviou cópias para sua filial nos Estados Unidos, mas a recepção foi diferente. Howard Phillips, funcionário da Nintendo of America, foi o responsável por barrar o lançamento.
Phillips começou na empresa no início dos anos 1980 como gerente de expedição. Com o tempo, tornou-se conselheiro do presidente Minoru Arakawa sobre quais jogos lançar no Ocidente. Ele ganhou o apelido de Game Master e foi editor-sênior da revista Nintendo Power.
Ao testar Super Mario Bros. 2 no verão de 1986, Phillips considerou o jogo punitivo e injusto. Ele também notou que a Nintendo havia reaproveitado muitos elementos do primeiro jogo. O mercado americano ainda se recuperava do crash dos videogames, e havia uma saturação de títulos parecidos.
Para Phillips, o jogo violava um “pacto de confiança” com o jogador, que exigia que os games fossem justos. Além disso, a versão japonesa foi feita para o Famicom Disk System, o que exigiria uma conversão para cartucho nos EUA, atrasando o lançamento. Arakawa seguiu a opinião de Phillips e não comercializou o jogo no país.
Alternativa e sucesso
Com a recusa, a Nintendo adaptou um jogo japonês chamado Doki Doki Panic para se tornar o novo Super Mario Bros. 2. A versão trazia mudanças na história e nos elementos, além de introduzir personagens como Shy Guy e Birdo.
O jogo foi lançado nos EUA em 1988 e vendeu 7,46 milhões de unidades globalmente, tornando-se o quarto maior sucesso comercial do Nintendinho. Anos depois, o Super Mario Bros. 2 original foi lançado nos Estados Unidos na coletânea Super Mario All-Stars com o nome Super Mario Bros.: The Lost Levels.
Howard Phillips deixou a Nintendo em 1991 após uma década na empresa. Ele passou por companhias como LucasArts, THQ e Microsoft Game Studios.