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Memória cheia gasta mais bateria? Veja o que diz especialista

Muitos usuários relatam que, quando o celular fica com o armazenamento quase lotado, o aparelho parece mais lento, esquenta mais e descarrega mais rápido. A pergunta que surge é: um celular com a memória cheia gasta…

Memória cheia gasta mais bateria? Veja o que diz especialista
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Muitos usuários relatam que, quando o celular fica com o armazenamento quase lotado, o aparelho parece mais lento, esquenta mais e descarrega mais rápido. A pergunta que surge é: um celular com a memória cheia gasta mais bateria?

De acordo com o engenheiro da computação e doutor em cibersegurança, Altair Olivo Santin, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a resposta é sim, mas não exatamente da forma como muitos imaginam. “Em geral, o sistema monitora o consumo de armazenamento porque não é possível operá-lo sem espaço de armazenamento local”, afirma o especialista.

Segundo ele, além dos arquivos dos usuários, o próprio sistema operacional depende de espaço livre para funcionar adequadamente. Quando a memória está próxima do limite, o aparelho passa a executar tarefas extras de gerenciamento. Essas atividades consomem processamento adicional e, consequentemente, energia.

Os sistemas operacionais, como Android e iOS, precisam monitorar constantemente o espaço disponível. Quando a capacidade se aproxima do limite, entram em ação mecanismos para evitar falhas. Santin explica que o sistema operacional gera uma sobrecarga adicional para acompanhar o armazenamento disponível. Para o usuário, isso aparece na forma de notificações sobre falta de espaço e uma percepção maior de lentidão.

A ideia de que o processador precisa “realocar dados” o tempo todo não está totalmente errada, mas também não significa que ele passe a operar em dobro de forma permanente. Segundo Santin, o sistema precisa dedicar mais recursos para administrar suas estruturas internas e encontrar alternativas para continuar funcionando. Esse esforço extra pode contribuir para a redução do desempenho e para um consumo energético ligeiramente maior.

Manter uma margem de armazenamento disponível é uma forma simples de preservar o desempenho do smartphone. Santin afirma que o ideal é evitar que a memória fique completamente cheia. “O mínimo recomendado é geralmente entre 5% e 10% de armazenamento livre, sendo o ideal manter acima de 15%”, destaca.

A solução passa por hábitos simples de organização digital. O especialista recomenda desinstalar aplicativos que não são mais utilizados e realizar limpezas periódicas de arquivos desnecessários. Também vale atenção para mídias acumuladas em aplicativos de mensagens, como WhatsApp, além do cache de navegadores e redes sociais. Quando não for possível apagar determinados conteúdos, a recomendação é transferi-los para serviços de backup ou armazenamento em nuvem.

A memória cheia não é a principal responsável pelo consumo excessivo de bateria, mas pode contribuir para esse problema ao aumentar o trabalho do sistema operacional. O resultado pode ser mais lentidão, aquecimento e uma autonomia menor ao longo do dia.