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Crise de memória RAM: Gigantes esgotam produção até 2027

As três maiores fabricantes de memória do mundo, Samsung, SK hynix e Micron, já esgotaram toda a capacidade de produção de DRAM e HBM para 2027. De acordo com o portal taiwanês DigiTimes, não há mais…

Crise de memória RAM: Gigantes esgotam produção até 2027
Reprodução/SK hynix

As três maiores fabricantes de memória do mundo, Samsung, SK hynix e Micron, já esgotaram toda a capacidade de produção de DRAM e HBM para 2027. De acordo com o portal taiwanês DigiTimes, não há mais espaço para novos compradores. Quem não garantiu contrato até agora não conseguirá comprar memória no próximo ano.

O que diferencia este episódio de alertas anteriores é o momento. Julho e agosto são os meses tradicionais para negociações de alocação do ano seguinte entre fabricantes de servidores, PCs e laboratórios de IA. Segundo as fontes, grande parte do mercado não sabia que as conversas já estavam em andamento. Algumas empresas foram mantidas de fora de propósito, para evitar pânico e concorrência por uma capacidade que já não existe.

Contratos de longo prazo

O modelo de acordos de longo prazo (LTAs) se consolidou em 2026. Os contratos têm duração de três a cinco anos e exigem pagamento adiantado. A Micron já fechou com 16 empresas nesse formato. A Samsung confirmou fornecimento para as cinco maiores operadoras de data center do mundo e negocia com outras cinco.

Essa prática reduz o mercado spot, onde fabricantes compravam wafers de DRAM sob demanda. Sem esse colchão, quem não assinou contrato depende do que sobrar. A estimativa é que a produção de 2027 atenda apenas de 60% a 70% da demanda projetada. O restante fica para 2028, quando novas fábricas, incluindo as da Samsung no Texas, devem ampliar a oferta.

IA domina a produção

Cerca de 70% da produção mundial de DRAM está destinada a servidores de IA e memória HBM, usada em aceleradores da NVIDIA e AMD. Apenas 30% da capacidade global abastece smartphones, notebooks e desktops. A preferência dos fabricantes é financeira: 1 GB de HBM consome até quatro vezes mais silício que 1 GB de DRAM comum, com margem de lucro maior.

A Samsung registrou lucro operacional de US$ 61,9 bilhões entre abril e junho de 2026, puxado pela divisão de semicondutores. A receita com chips HBM4 deve triplicar no terceiro trimestre. Em contrapartida, a divisão de smartphones da empresa teve prejuízo de US$ 544 milhões no mesmo período, pressionada pelo custo dos componentes que ela mesma fabrica.

Impacto nos preços

Um kit de 32 GB DDR5 que custava US$ 80 no ano passado chegou a US$ 439 em junho de 2026, alta de mais de 400%. A memória representa até 35% do custo de um PC, segundo a HP. Marcas como Dell, Lenovo, Acer e Asus repassaram o aumento para notebooks intermediários, que subiram de US$ 900 para mais de US$ 1.200.

O relatório da Jefferies Equity Research projeta alta de 40% a 50% na memória RAM no terceiro trimestre de 2026, com novo salto de 30% a 40% até o fim do ano. Para 2027, o encarecimento anual deve ficar entre 40% e 45%. O alívio só é esperado em 2028, com expansão de 15% a 20% na oferta. Placas de vídeo também devem subir até 40%, e outros componentes seguem pressionados.

No Brasil, o câmbio e os impostos de importação tendem a amplificar os percentuais internacionais para o consumidor final.

Cenário para 2027

A Samsung, responsável por um terço da produção mundial, sinalizou que a escassez deve continuar em 2027 e se intensificar até 2028. Laboratórios de IA compartilham suas projeções de demanda com a fabricante, reforçando o poder de barganha das empresas na escolha de quem recebe alocação garantida.

O mercado fica dividido: empresas com contratos de vários anos seguem abastecidas, enquanto fabricantes menores e compradores sem acordo não encontrarão DRAM para comprar, restando esperar por 2028 ou negociar em condições piores no mercado spot. Para quem planeja montar um PC ou fazer upgrade, adiar a compra pode resultar em preços ainda mais altos no trimestre seguinte. A demanda de IA criou um consumo estrutural, não sazonal, o que tende a prolongar o ciclo de alta.