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Análise de Saros: hit acessível, frenético e viciante do PlayStation

Em 2021, o estúdio finlandês Housemarque lançou Returnal, um dos primeiros exclusivos first-party do PlayStation 5. Cinco anos depois, a desenvolvedora trouxe uma experiência familiar para quem explorou o planeta Atropos. Saros veio com a promessa…

Brazil's Saros Review: Affordable, Frantic and Addictive PlayStation Hit
abriel Cavalheiro, Canaltech)

Em 2021, o estúdio finlandês Housemarque lançou Returnal, um dos primeiros exclusivos first-party do PlayStation 5. Cinco anos depois, a desenvolvedora trouxe uma experiência familiar para quem explorou o planeta Atropos. Saros veio com a promessa de tornar o bullet-hell mais acessível e divertido.

Antes de mais nada, Saros é um shooter roguelite em terceira pessoa com temática sci-fi pesada. Nele, controlamos Arjun Devraj, um executor em uma missão no planeta metamorfo Carcossa a mando da corporação Soltari. Seu principal objetivo é encontrar três expedições desaparecidas do programa Echelon.

Saros tem um foco muito grande em ação frenética, ao passo que abandona os traços roguelike de seu antecessor e abraça elementos de roguelite menos punitivos. Embora não seja uma sequência direta, o novo título da Housemarque reusa certos elementos de Returnal, mas introduz mecânicas, como o Escudo de Energia, que fazem com que a aventura de 2021 pareça séculos atrasada.

Um dos primeiros recursos revelados foi a Segunda Chance. A mecânica permite que Arjun Devraj retorne à ação após perder sua barra de vida pela primeira vez em um ciclo. Embora a Segunda Chance facilite um pouco a vida em Carcossa, a estrela de Saros é o Escudo de Energia. Essa tecnologia Soltari é capaz de absorver projéteis azuis e transformá-los em energia para usar sua habilidade especial.

Saros é, em primeiro lugar, um shooter bullet hell. A progressão em Carcossa é semelhante a Returnal. Todos os cenários do jogo têm uma linearidade que muda a cada morte. Os embates acontecem em arenas fechadas em que é preciso eliminar todos os inimigos para prosseguir. A movimentação é rápida e precisa, com o personagem sendo responsivo e a esquiva ajudando muito.

Diferentemente de Returnal, Saros permite retornar ao bioma em que o jogador parou nos ciclos, sem precisar zerar todos os cenários de uma vez. A morte leva o jogador de volta à Passagem, onde é possível conversar com outros integrantes da Echelon IV e evoluir as habilidades de Arjun.

Saros conta com uma árvore de habilidades permanentes acessível a partir do Primário. Essas skills podem ser evoluídas por meio dos recursos lucenita e serenidade. A árvore naturaliza a morte como parte do processo de progressão, encorajando o jogador a desbloquear novos bônus.

A Housemarque conseguiu tornar um bullet hell acessível sem deixar a dificuldade de lado. A dificuldade parte principalmente do modo Eclipse. Nesse modo, as criaturas são mais agressivas e usam ataques amarelos que provocam corrupção e reduzem a barra de vida. Apesar de os níveis ficarem mais difíceis, as recompensas são melhores e alguns locais só são acessíveis neste modo.

Para enfrentar os perigos, o jogador coleta artefatos que concedem bônus de status a Arjun e melhorias para armas e habilidades. No entanto, assim como os Parasitas de Returnal, os artefatos trazem malefícios durante o modo Eclipse. O gun-play de Saros é prazeroso e combina com o ritmo frenético de Carcossa.

Saros apresenta cutscenes muito bem-feitas, mas os modelos faciais in-game são sem vida e robóticos. A história pode parecer confusa, e as interações com os personagens são um pouco confusas. O jogo exige bastante grinding de recursos para progredir na árvore de habilidades, e o design de boa parte dos inimigos é repetitivo.

Saros é um shooter consistente que aprimora o que Returnal já entregava de bom e conserta pontos críticos, como a parte roguelike. Mecanicamente, tudo é apresentado no momento certo. O jogo é difícil no começo e fica ainda mais intenso no final, sem chegar a ser frustrante. Saros não é perfeito, mas entrega uma experiência sólida, divertida e viciante, com belos gráficos e recursos que facilitam as missões em Carcossa sem banalizar o desafio.