O RAM Boost realmente deixa o celular mais rápido?
As fabricantes de smartphones destacam números cada vez maiores de memória RAM. Nos últimos anos, surgiu uma nova promessa: o RAM Boost, também conhecido como RAM Plus, Memory Extension ou RAM Virtual. A proposta é que…

As fabricantes de smartphones destacam números cada vez maiores de memória RAM. Nos últimos anos, surgiu uma nova promessa: o RAM Boost, também conhecido como RAM Plus, Memory Extension ou RAM Virtual.
A proposta é que o celular use parte do armazenamento interno como uma memória RAM extra para melhorar o desempenho. Para entender o impacto da função, foram analisados três celulares para verificar se a melhora é real ou é puro marketing.
A conclusão foi menos impressionante do que o marketing costuma sugerir.
O que é RAM Boost?
A memória RAM tradicional é mais rápida que o armazenamento interno do celular. Quando o aparelho fica sem RAM disponível, aplicativos começam a ser fechados em segundo plano para liberar recursos. O RAM Boost tenta amenizar isso usando parte do armazenamento como memória complementar. Na prática, ele não transforma armazenamento em RAM real, apenas cria uma área de troca (swap) para evitar que aplicativos sejam encerrados tão rapidamente. Os ganhos costumam aparecer mais no multitarefa do que na velocidade bruta.
POCO C40: melhora discreta
O POCO C40 foi o primeiro celular testado. Ele tem 4 GB de RAM nativa e adiciona mais 1 GB através do recurso. O RAM Boost ajuda a manter aplicativos simples abertos por mais tempo, especialmente WhatsApp, Chrome e redes sociais. Não há melhora perceptível na abertura de apps ou no desempenho em jogos. O sistema fica até ligeiramente mais lento após longos períodos de uso com a função ativada, já que o armazenamento interno passa a ser utilizado com mais frequência.
Galaxy A07: multitarefa melhora
No Samsung Galaxy A07, a tecnologia aparece sob o nome RAM Plus. São 4 GB de RAM nativa e mais 4 GB de RAM virtual. Quem utiliza muitos aplicativos simultaneamente pode perceber menos recarregamentos em segundo plano. Alternar entre navegador, Instagram, YouTube e aplicativos de mensagem fica um pouco mais consistente. Em relação ao desempenho, não há nenhuma mudança aparente. O celular não fica mais potente. A sensação de ganho aparece apenas porque menos aplicativos precisam ser reiniciados ao trocar de tarefa.
Moto G71: melhor resultado
Entre os três modelos, o Motorola Moto G71 apresentou a experiência mais positiva. Como o aparelho já possui um hardware intermediário equilibrado (6 GB), a RAM virtual consegue atuar como complemento em cenários de uso intenso. Foi notada melhor retenção de aplicativos em segundo plano e menos fechamentos inesperados durante multitarefa pesada. A diferença não transforma a experiência do aparelho. Jogos continuam rodando da mesma forma e aplicativos pesados não ficam mais rápidos.
RAM Boost funciona?
Sim, mas não do jeito que muitas propagandas sugerem. Nos três aparelhos, a função mostrou benefícios para manter aplicativos abertos por mais tempo. O que ela não faz é aumentar o desempenho do celular. Na prática, não melhora FPS em jogos, não acelera o processador, não reduz o tempo de carregamento e não substitui a RAM física. Para celulares com pouca memória, o recurso pode ajudar a reduzir travamentos causados por multitarefa. Quem espera transformar um aparelho básico em um intermediário provavelmente ficará decepcionado. A conclusão é que o RAM Boost está longe de ser o salto de desempenho que os fabricantes sugerem.