Ícone alemão da fotografia: a Leica pode em breve se tornar chinesa
Um fundo de investimento chinês está interessado em assumir o controle total da Leica, uma das marcas mais tradicionais da fotografia mundial. Segundo informações da Bloomberg, o fundo americano Blackstone, que hoje detém cerca de 45%…

Um fundo de investimento chinês está interessado em assumir o controle total da Leica, uma das marcas mais tradicionais da fotografia mundial. Segundo informações da Bloomberg, o fundo americano Blackstone, que hoje detém cerca de 45% da empresa, negocia a venda de sua participação para o HongShan Capital Group (HSG).
Além disso, o grupo chinês também estaria avaliando a compra da fatia restante, atualmente nas mãos do bilionário austríaco Andreas Kaufmann, que controla aproximadamente 55% da companhia. Caso o acordo avance, a Leica pode passar por uma reestruturação que inclui até um novo IPO (oferta pública de ações).
A possível venda marca mais um capítulo na transformação da indústria fotográfica tradicional. Avaliada em cerca de €1 bilhão, a Leica pode seguir o caminho de outras marcas históricas que acabaram sob controle chinês, como a Hasselblad, adquirida pela DJI em 2017.
O histórico recente de aquisições chinesas de marcas ocidentais tem funcionado bem. Além da Hasselblad, marcas como Volvo e a britânica MG se beneficiaram de aquisições do tipo.
Fundada em 1914, a Leica é creditada como a empresa que popularizou a câmera portátil, abrindo espaço para o fotojornalismo moderno e a fotografia de rua. Seus equipamentos foram usados por nomes como Henri Cartier-Bresson e Robert Capa.
Apesar do prestígio histórico, a empresa passou por mudanças estruturais. Em 2012, deixou de ser listada em bolsa após um processo de privatização liderado por Kaufmann. Desde então, vem apostando em parcerias estratégicas com fabricantes de smartphones para manter relevância. Nos últimos anos, a marca ampliou sua presença em segmentos de luxo, com câmeras de alto valor agregado e edições especiais para colecionadores.
Até o momento, nenhuma das partes envolvidas comentou oficialmente as negociações. Segundo a Bloomberg, as conversas ainda estão em andamento, e um anúncio pode ocorrer nas próximas semanas, caso haja acordo entre os acionistas. Se confirmada, a operação não deve mudar imediatamente os produtos da Leica, mas pode influenciar sua estratégia em inovação, parcerias e expansão global.