Assinatura gov.br: como assinar de graça, onde vale e onde é recusada
Assinatura gov.br é gratuita, sai pelo celular e vale em contrato e serviço público, mas nota fiscal, processo e cartório continuam exigindo o certificado pago.
assinatura gov.br
O locador mandou o contrato de aluguel em PDF e pediu assinatura digital. O inquilino, sem certificado, achou que teria de comprar um. Assinou pelo portal do governo em cinco minutos, de graça, com a conta que já usava para consultar o INSS, e o locador aceitou. Dois meses depois, o mesmo inquilino tentou usar o mesmo recurso para assinar a procuração de um processo, e o sistema do tribunal recusou. Vale num caso e não vale no outro, e a diferença está na lei.
A assinatura gov.br é o serviço gratuito do governo federal que aplica, num arquivo PDF, uma assinatura eletrônica avançada vinculada à conta do cidadão no login único. Ela identifica quem assinou, registra data e hora e permite conferir se o documento foi alterado depois, e por isso tem validade jurídica em contratos entre particulares e na maior parte dos serviços públicos. O que ela não é: assinatura qualificada, a modalidade que a lei reserva ao certificado digital ICP-Brasil e exige em nota fiscal, processos judiciais, atos de cartório e alguns registros.
Este texto explica os três níveis previstos em lei e mostra passo a passo como assinar pelo portal e pelo aplicativo. Diz qual conta é exigida, onde a assinatura gov.br é aceita e onde é recusada, como o destinatário verifica, e quando o certificado pago vira necessidade.
Aqui estão as três modalidades, o passo a passo no portal e no aplicativo, a conta exigida e a tabela comparativa. Entram os lugares que aceitam e os que recusam, a verificação pelo destinatário, os erros de quem assina no lugar errado, a ordem para agir, os custos e as dúvidas mais frequentes.
Assinatura gov.br: as modalidades previstas em lei
A lei brasileira de assinaturas eletrônicas define três níveis. Simples é qualquer marca de concordância, como clicar em aceito ou digitar o nome. Avançada é a que usa um meio capaz de identificar o signatário de forma única e detectar alteração posterior, caso da gov.br, que vincula o ato à conta validada do cidadão. Qualificada é a que usa certificado digital emitido na ICP-Brasil, com chave privada sob controle exclusivo do titular, e é a única com presunção legal de veracidade, equiparada à firma reconhecida.
Cada órgão e cada lei define qual nível aceita, e é isso que explica o contrato aceito e a procuração recusada.
Como assinar pelo portal e pelo aplicativo
No portal de assinatura do governo, o usuário entra com a conta, envia o PDF, escolhe a posição do carimbo na página e confirma com o código que chega no aplicativo ou por SMS. O arquivo assinado é devolvido para download com o carimbo visível e a assinatura embutida. No aplicativo gov.br, o caminho é o mesmo, com o PDF vindo da galeria ou de outro app, e a confirmação por biometria do celular. Um mesmo arquivo pode receber várias assinaturas, de pessoas diferentes.
Depois de assinado, o PDF não deve ser editado nem impresso e escaneado, porque isso quebra a assinatura e o verificador passa a acusar alteração.
Quem precisa de uma assinatura que os tribunais, as prefeituras e os cartórios aceitem sem discussão acaba precisando do certificado, e as duas coisas convivem na mesma conta. O guia sobre como usar certificado digital no gov.br explica a diferença entre a assinatura avançada e a qualificada, como entrar no login único com o certificado, o que cada instrumento resolve e por que a Receita não fornece certificado gratuito. Nosso inquilino teria sabido, antes de tentar, que a procuração do processo pedia a qualificada.
Comparativo entre os níveis
| Nível | Exemplo | Aceita em |
|---|---|---|
| Simples | Clique em aceito, nome digitado. | Termos de uso, aceites internos. |
| Avançada | Gov.br, plataformas com validação. | Contratos, serviços públicos. |
| Qualificada | Certificado ICP-Brasil. | Nota fiscal, processo, cartório. |
| Manuscrita escaneada | Foto da assinatura no PDF. | Quase nada; não é eletrônica. |
A conta exigida
Para assinar, a conta precisa estar no nível prata ou ouro, porque a assinatura vale o que vale a identificação por trás dela. Conta bronze, feita só com CPF e senha, não assina. O prata se alcança com validação facial pela base do INSS ou login por banco, e o ouro com biometria da CNH, do título de eleitor, banco credenciado ou certificado digital. A maioria de quem já usou o aplicativo para algum serviço está no prata sem saber.
Onde é aceita e onde é recusada
Aceitam o carimbo gratuito os contratos entre particulares, como aluguel, prestação de serviço e compra e venda de bens móveis. Aceitam também os requerimentos em órgãos federais, estaduais e municipais que aderiram, os documentos para o INSS e o próprio governo em suas plataformas. Recusam, por exigência legal de assinatura qualificada, a nota fiscal eletrônica, as petições e procurações em processo judicial, as escrituras e atos notariais, o eSocial de empresas fora do MEI e boa parte dos contratos com bancos. Na dúvida, o destinatário decide.
Como o destinatário verifica
Quem recebe o PDF assinado abre o verificador de conformidade do governo, envia o arquivo e recebe o relatório com o nome do signatário, o CPF parcial, a data e o atestado de integridade. Qualquer edição depois da assinatura aparece como documento alterado. Leitores de PDF também mostram o painel de assinaturas, mas o verificador oficial é o que vale em disputa.
Erros de quem assina no lugar errado
O erro mais comum é usar a versão gratuita em documento que exige a qualificada, como petição ou nota, e ter o arquivo recusado depois de enviado. Vem depois imprimir o PDF assinado, assinar de caneta por cima e escanear, o que destrói a assinatura eletrônica. Segue tentar assinar com conta bronze e não entender por que o botão não aparece. Fecha a lista comprar certificado para assinar um contrato de aluguel que o carimbo gratuito resolvia. Os dois primeiros custam retrabalho; os dois últimos, dinheiro ou tempo.
Em ordem, para agir
- Perguntar ao destinatário ou conferir na lei se aceitam assinatura avançada.
- Conferir no aplicativo o nível da conta; subir se estiver em bronze.
- Assinar no portal ou no aplicativo, escolhendo a posição do carimbo e confirmando o código.
- Enviar o PDF sem editar, imprimir ou converter, e guardar uma cópia.
- Quando exigirem a qualificada, emitir o certificado e assinar com ele.
O passo um é o que separa o contrato aceito da procuração recusada, e leva uma pergunta.
Quanto custa
A assinatura gov.br não custa nada, sem limite de documentos, e subir a conta também é gratuito pelos caminhos comuns. O certificado, para os casos que exigem a qualificada, custa entre R$ 100 e R$ 180 por ano no e-CPF A1 e entre R$ 150 e R$ 350 por três anos em nuvem. Plataformas privadas cobram por envelope ou por mês, e quase sempre a versão gratuita faz o mesmo serviço para contratos comuns.
Perguntas frequentes sobre a assinatura gratuita
Assinatura gov.br tem validade jurídica?
Sim, como assinatura eletrônica avançada, em contratos comuns e em serviços públicos que a aceitam. Não substitui a qualificada onde a lei a exige.
Serve para nota fiscal ou processo?
Não. Nota fiscal eletrônica, petições, procurações judiciais e atos notariais exigem certificado ICP-Brasil.
Preciso de conta ouro para assinar?
Prata basta. Bronze não assina. O ouro é exigido em alguns serviços específicos, não na assinatura em si.
Como o outro lado confere?
Pelo verificador de conformidade do governo, que mostra nome, data e integridade do arquivo. O relatório serve como prova.
Posso assinar pelo celular?
Sim, pelo aplicativo gov.br, com o PDF vindo da galeria ou de outro app e a confirmação por biometria do aparelho.
Assinatura gratuita e certificado podem conviver?
Sim. A mesma conta usa a gratuita para contratos e o certificado para nota, processo e cartório, e o certificado ainda eleva a conta ao ouro.
Resumo
Assinatura gov.br é a modalidade avançada gratuita do governo, feita pelo portal ou pelo aplicativo com conta prata ou ouro, válida em contratos comuns e em serviços públicos que a aceitam. Nota fiscal, processo judicial, cartório e eSocial de empresas exigem a qualificada, que só o certificado ICP-Brasil oferece. O destinatário confere pelo verificador oficial, o PDF não pode ser editado depois, e as duas ferramentas convivem na mesma conta.



