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ADATA revela que crise de RAM não deve melhorar em 2026

Em entrevista exclusiva ao Canaltech, o gerente nacional de vendas e marketing da ADATA, Daniel Santarem, afirmou que a crise de memórias RAM e componentes, que se arrasta desde o fim de 2025, não tem previsão…

ADATA revela que crise de RAM não deve melhorar em 2026
A XPG é a divisão gaming da ADATA (Imagem: Divulgação/XPG)

Em entrevista exclusiva ao Canaltech, o gerente nacional de vendas e marketing da ADATA, Daniel Santarem, afirmou que a crise de memórias RAM e componentes, que se arrasta desde o fim de 2025, não tem previsão de melhora. A companhia, que produz módulos em sua fábrica em Santo Antônio da Posse, no interior de São Paulo, alerta que não se deve confiar em estimativas otimistas de analistas.

“Tanto no mercado nacional quanto global, qualquer pessoa que cravar uma data de que o preço vai estabilizar ou baixar está chutando. Não tem nada no cenário atual que nos mostre isso. Em três meses? Não. Em seis meses? Eu também não acredito. Acho que passa de seis meses, talvez até de um ano”, disse Santarem.

Segundo o executivo, a crise, impulsionada pela demanda por inteligência artificial, está longe do fim. “A demanda da IA segue bastante reprimida. Globalmente, existe uma demanda contida de RAM de altíssimo padrão. Falar sobre baixa de preço é algo muito sério, porque nada aponta que vai abaixar. A oferta de wafer, que representa muito no nosso custo, não é maior. A demanda dos servidores de IA não é menor. Logo, não há motivo para acreditarmos que os preços vão cair”, reforçou.

Santarem explicou que a crise impacta toda a indústria tecnológica, não apenas a ADATA ou sua divisão gamer XPG. “Qualquer eletrônico, na verdade. Quando falamos de memórias dentro de uma placa de vídeo, segue a mesma lógica. É o mesmo wafer, é a mesma oferta de produtos dos mesmos fabricantes”, afirmou.

O gerente detalhou que aumentar a produção de wafer não é simples. “Não dá para estalar os dedos e os produtores conseguirem fazer algo. Uma fábrica precisa de matéria-prima, equipamentos de teste e mão de obra especializada”, disse. Ele destacou que os equipamentos de teste são um dos gargalos da produção.

Para a ADATA, a alta demanda de data centers de IA fez com que grandes fabricantes focassem suas vendas nesse setor, deixando o mercado de consumo com poucos hardwares. Com isso, os preços subiram, em alguns casos quadruplicando. “Para as RAM, o aumento será menos acelerado do que nos últimos seis meses, mas ainda é uma tendência crescente”, revelou Santarem. Já para os SSDs, o executivo afirmou que ainda não se chegou ao topo de preço.

Santarem explicou que o preço de um SSD é composto em 85% a 90% pelo custo do wafer. “Quem produz este disco é a SK Hynix, Samsung, Micron e alguns outros fabricantes. Eles fecharam acordos comerciais diretamente com as empresas que consomem para servidores de IA. Hoje, a maior parte da produção da matéria-prima é dedicada diretamente para esses clientes”, detalhou.

Sobre a possibilidade de novas fábricas na China aliviarem a crise, o executivo disse que isso levaria de cinco a dez anos para ter efeito. “Acredito que os preços devem ser ajustados antes de cinco anos”, ponderou.

Como estratégia para o Brasil, a ADATA e a XPG pretendem expandir o portfólio com outros periféricos, como cadeiras, monitores e sistemas de refrigeração. Santarem destacou os desafios logísticos, como o frete, que é um dos maiores custos no país. “Dentro de um container cabem menos de 200 cadeiras. Com a situação de guerra, muitas vezes é preciso mudar a rota, o que encarece o frete”, afirmou.

O executivo também mencionou que a empresa investe em projetos sociais, como o patrocínio à GameCraft no Rio de Janeiro, que ensina tecnologia para crianças de comunidades. “Nos próximos meses, vocês verão muitos produtos. Não há problema de abastecimento. Quem quiser fazer um upgrade ou montar um setup, o mercado está bem abastecido”, concluiu.